Rei Ho, o porquê das reverências

 Diariamente, quando entro no Dojo BuTokuDen, coloco-me de joelhos (Seiza) e inclino-me à frente em Zarei (como numa reverência) até as costas ficarem retas paralelamente ao tatami, e retorno à postura Seiza.

Também antes e após as aulas, juntamente com os alunos, de frente para o lado principal (Shomen) do Dojo, onde se localiza a foto do Kaisso (o fundador), fazemos Zarei de modo parecido, e batemos duas vezes as mãos.

Desconhecendo as origens desse comportamento, algumas pessoas que assistem a esse cerimonial imaginam tratar-se de alguma “espécie de rito de uma seita religiosa”, em função da postura e também do comportamento coletivo (uma vez que, de modo especial as religiões de origem judaico-cristãs impoem uma postura de joelhos no solo, para as orações).

Mas, o que fazemos não tem qualquer conotação religiosa, e a explicação que dou aos alunos é a seguinte: no Japão, onde nasceu o Aikido, não se usavam cadeiras e outros móveis domésticos. Era costume  sentar-se diretamente no chão (que era coberto de tatami) em Seiza e, a partir dessa posição, inclinar-se à frente, diminuindo-se o próprio tamanho, demonstrando humildade para mostrar respeito, cumprimentar, aprender, pedir, ou agradecer.

Ao juntarmos as mãos duas vezes, estamos apenas representando a união dos complementares “Yin” e “Yang” (o positivo e o negativo, em harmonia).


 Por essa razão, ao entrar e ao sair do Dojo (um lugar absolutamente respeitável), sigo essa regra de etiqueta, mostrando humildade e gratidão, além de respeito por todos que me precederam neste Caminho, e jamais trato sobre qualquer religião em minhas aulas. Aikido é arte marcial, e não uma seita religiosa.

                           Alcino Lagares , Presidente da Federação Mineira de Aikido

  ETIQUETA (REI HO)


TODO AIKIDOKA DEVE:


1. Utilizar as sandálias (zuri) sempre que estiver trajando o Gi, fora do tatami. Para entrar no tatami, alinhar as sandálias próximas a este, no local para isto previsto.

2. Chegar ao Dojo antes do horário de início da aula. Se ocorrer um atraso, permanecer ajoelhado (Seiza) à entrada do Tatami, esperando que o Sensei autorize sua entrada.

3. Fazer uma reverência em direção ao Shomen (local da foto do Kaisso) ao entrar e ao sair do Dojo. Saudar o parceiro, dizendo “Onegai Shimassu” (“Peço sua permissão”) ao iniciar, e  “Arigatou” (“Obrigado”) ao terminar o treino.

4. Dirigir-se ou referir-se ao professor como “Sensei”. Se precisar perguntar-lhe alguma coisa, ir até ele (evitar chamá-lo).

 

5. Evitar conversar, discutir, ou disputar com o parceiro. Concentrar-se e praticar o que tiver sido recomendado pelo Sensei.

6. Ajudar o parceiro que não conhecer o movimento que estiver sendo trabalhado, mas somente corrigi-lo se você for yudansha (Faixa Preta) ou  se lhe for solicitado isso pelo Sensei.

7. Somente ficar em pé no tatami quando estiver trabalhando. Permanecer em Seiza especialmente quando o Sensei estiver demonstrando ou explicando alguma técnica. Na hipótese de estar impedido de realizar Seiza, permanecer em Zazen.

8. Permanecer no Tatami durante o horário completo de seu treinamento: a aula começa e termina com uma cerimônia formal.

9. Aceitar, sem discutir, toda decisão do Sensei. Falar o mínimo possível. Trabalhar e jamais tentar impor suas idéias aos demais.

10.  Evitar danos físicos, ou morais, aos parceiros, respeitar o nível e as condições físicas desses, e praticar com todos com companheirismo e humildade.

11.  Cuidar de seu asseio pessoal, manter limpo o tatami, e participar espontaneamente da limpeza deste antes das aulas e ao final do dia.

12.  Usar somente seu próprio traje (Gi) e suas próprias armas (Jo, ou Boken). Somente utilizar-se de armas alheias quando estiver autorizado.

13.  Manter suas contribuições mensais em dia.

14.  Manter vivo o respeito ao Kaisso (Fundador) e ao Doshu (Sucessor).

15.  Viver em paz com as pessoas, respeitar as convenções sociais, evitar contendas, e recusar desafios de quaisquer espécies, dentro e fora do Dojo.

16.  Proteger todos os seres vivos e contribuir para a preservação da natureza em geral.